Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, "eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus".
Só de pensar: sufoco-me, entorno o café, pago a conta e apago nosso amor que eu jurava completo nesse texto inacabado.
Dos meus amores mal-resolvidos guardo boas lembranças e algumas cartas inacabadas.
Dos meus amores mal-resolvidos guardo todos os cigarros que eu nunca quis fumar e todas as palavras que preferi não mencionar. Guardo os poemas nublados assim como o céu incompreendido. Guardo também pequenas fobias e grandes oportunidades perdidas. Dos meus amores mal-resolvidos guardo a melancolia de uma manhã chuvosa de Domingo e a raiva de uma tarde ensolarada de Segunda. Guardo as roupas, os cheiros, os hábitos e um bocado de boas risadas. Mas não quero rir agor
Dos meus amores mal-resolvidos guardo quase tudo menos as mágoas porque sei que são eles que me guardam dia e noite e me aguardam noite e dia como se, um dia ou uma noite qualquer, eu fosse tentar resolvê-los.
"não que não faça mais sentido, só resolvi deixar pra lá alguns abraços, corações partidos e alguns costumes que não vou guardar
Às vezes, distanciar alguém é torná-lo mais seu.
Eu já vi o mundo desabar tantas vezes que, às vezes, parece que o mundo foi feito mesmo para gente se desfazer
É que eu já vi a morte desabar tantas vezes que, às vezes, amar não me parece tão ruim assim. É que eu já vi o amor desabar tantas vezes que, às vezes, morrer não me padece tão ruim assim.
Esse a fim de comparar o amor com a dor da perda, porque tudo se perde no complexo sentido de existir o que se herde da vida, oprimida pelo vasto intuito de ser (vivo ou morto, amado ou sofrido).
Eu perdoei loucamente todos os seus pecados: um por um, dores por dores, sentimentos por sentimentos.
Um poema é o próprio abandono descrito em versos, diversas vezes.
Talvez por isso nada lhe emocione mais: nem o piano que toca algumas notas de jazz, nem o coração em guerra que, no peito, hasteia uma bandeira de pa
Talvez por isso nada lhe interesse mais: nem as cartas nem as caras de amor. Todas elas são ridículas, já dizia o poeta, todas elas são partículas de sentimento que não insiste mais…
Uma sombra precisa de luz para ser viva. Um amor precisa de vida para reluzir. Eu preciso de ambos para existir.
E se você foi covarde, tudo bem… Todo mundo tem suas fraquezas. Nem todo mundo aguenta ser feliz. Eu também preciso de uma Trégua…
E não fumasse só por se achar bonita em uma fotografia em preto e branco. Eu prefiro encontrá-la mil vezes no desespero de quem ri sozinho em medo e pranto; e amá-la, assim, para sempre e tanto…
Tudo se tornou delicado demais para ser dito, sentido.
tudo parece romper a qualquer momento, a qualquer palavra, a qualquer gesto. Tudo passou a ser um eterno desconforto.
